A figura do “gênio solitário” atravessa séculos e permanece viva no imaginário coletivo. Trata-se do indivíduo intelectualmente brilhante, emocionalmente distante, socialmente isolado e supostamente capaz de desenvolver suas idéias sem a necessidade de vínculos, orientação ou apoio. Essa representação, reforçada por obras literárias, filmes e narrativas históricas romantizadas, moldou profundamente a forma como a sociedade …
A idéia de que pessoas com altas habilidades ou superdotação apresentam facilidade automática em todas as áreas do conhecimento continua profundamente enraizada no imaginário social. Para muitos, ser superdotado equivale a aprender sem esforço, obter alto desempenho em qualquer disciplina, lidar com pressões com maturidade precoce e atravessar a trajetória escolar sem tropeços emocionais ou …
Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum ouvir expressões como “laudo de superdotação”, “CID para altas habilidades” ou “diagnóstico de aluno superdotado”. Embora bem-intencionadas, essas formas de se referir ao tema revelam uma confusão conceitual profunda que afeta escolas, famílias e os próprios estudantes. Altas habilidades/superdotação não constituem uma doença, um transtorno ou uma …
A crença de que algumas pessoas nascem com um “dom natural” especial, enquanto outras jamais poderão desenvolver grandes habilidades, está profundamente enraizada no imaginário social. Desde cedo, crianças escutam frases como “ele nasceu para isso”, “ela tem talento no sangue” ou “isso é coisa de gênio”. Embora essas expressões pareçam inofensivas, elas sustentam uma visão …
A identificação de alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) ainda é um dos maiores desafios da educação contemporânea. Apesar dos avanços na psicologia educacional e na educação inclusiva, milhares de estudantes seguem invisíveis dentro das salas de aula, não por falta de potencial, mas por causa de concepções equivocadas profundamente enraizadas no sistema escolar. Muitos professores, …
Quando foco intenso e desatenção parecem opostos — mas não são É comum ouvir relatos de crianças que passam horas concentradas em um único tema, jogo ou atividade, mas que parecem “não prestar atenção” em sala de aula ou durante tarefas rotineiras. Para muitos adultos, esse contraste soa contraditório: como alguém capaz de se concentrar …
Quando inteligência é vista como problema Em muitas salas de aula e lares, crianças com altas habilidades são descritas como “difíceis”, “questionadoras demais”, “emocionalmente intensas” ou “inquietas”. Esses rótulos, embora comuns, revelam um problema maior: a dificuldade histórica de reconhecer que inteligência elevada nem sempre se manifesta de forma silenciosa, obediente ou previsível. Quando o …
Por que ainda confundimos superdotação com boletim escolar Durante décadas, a escola e a sociedade aprenderam a medir inteligência quase exclusivamente por meio de notas, provas e desempenho acadêmico. Dentro dessa lógica, criou-se a idéia de que crianças superdotadas são, necessariamente, aquelas que tiram notas altas, aprendem rápido e apresentam um percurso escolar exemplar. Essa …
Quando talento não garante sucesso A idéia de que superdotados são sempre bem-sucedidos está profundamente enraizada no imaginário coletivo. Desde cedo, crianças identificadas com altas habilidades costumam ouvir frases como “você vai longe”, “seu futuro está garantido” ou “com essa inteligência, é impossível fracassar”. Embora bem-intencionadas, essas afirmações constroem uma expectativa perigosa: a de que …
Apesar de o tema das Altas Habilidades/Superdotação estar cada vez mais presente em debates educacionais e psicológicos, ele ainda é envolto por uma névoa de desinformação, estereótipos e generalizações. Muitas das idéias difundidas sobre pessoas altamente capazes não apenas são imprecisas, como também prejudiciais. Elas moldam expectativas irreais, atrasam identificações e contribuem para o sofrimento …










